June 20th, 2010

Torne-te quem tu és…

Ok, vou falar em Nietzsche novamente. Mas é impossível não lembrar de Nietzsche quando se observa a humanidade.
Recebi um desses emails de protesto que rodam pela internet e que você nunca sabe se são reais. Abri porque a pessoa que me enviou era confiável e porque poderia me perguntar pelo email mais tarde e eu não queria dizer que ignorei. Então abri descompromissadamente. Quando dei por mim, percebi que se tratava de um grupo de rapazes que torturavam gatos.

Entendi isso lá pela terceira ou quarta imagem e deviam haver muitas outras pois até a imagem que vi eu só pude deduzir o que eles faziam e o corpo do email se desculpava pelas imagens chocantes. Fechei imediatamente.

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por gatos e, mais do que isso, sabe que tenho um coração mole para animais, embora seja rígida com seres-humanos. Não participo de grupos de proteção aos animais nem apoio movimentos que denunciam tortura simplesmente porque não tenho estômago nem mesmo para ouvir falar a respeito.

Mas naquele dia fui pêga de surpresa e sem aviso. O email não explicava com antecedência, o que considero, aliás, uma falta grave. Meu estômago revirou, tive ânsia de vômito e passei mal o resto do dia. Isso sem nem mesmo ver as imagens realmente chocantes.

O que me leva ao meu ponto de sempre: seres humanos. Em sua essência, são perversos. São maus por natureza. A psicologia ensina que crianças são cruéis, porque ainda não têm consciência do certo ou errado, do bom ou ruim. Consciência apenas controla as pessoas, não as modifica. Já dizia Nietzsche, toda motivação é vil.

Você pode estar se perguntando: se ela pensa isso da humanidade, então se inclui no pacote, não?
Quer saber? Depois do primeiro momento de choque, fiquei pensando nesses rapazes. Imaginei que eram meus vizinhos e que um dia eu os descobriria. E imaginei como poderia torturá-los, devagar, talvez repetir a mesma tortura que eles infrigiram aos gatos, talvez pior. Tudo bem, faria isso por um motivo, talvez muitos me apoiariam, diriam que estou certa, veriam apenas uma vingança justa, mas sabe a verdade? Sentiria prazer com o sofrimento deles.

Ora, pensando bem, somos iguais, não?

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