February 23rd, 2010

Narrativas e Personagens

rackham_alice

Eu ainda não tinha me dado conta do quanto uma narrativa é complexa. Quando comecei a escrever não pensava na importância do narrador. Escrevia quase de forma jornalística, tentando ser o mais neutra possível ao contar uma história. E nunca me aventurei na primeira pessoa.

Agora que amadureci muito como “criadora”, tenho uma noção da importância dessa escolha para a relação entre leitor e personagens. Depois de definir as características dos meus personagens centrais, escolher o estilo e a linguagem narrativa se tornou uma tortura.

Estudei muitos personagens que considero fortes, bem trabalhados, na tentativa de entender como foram construídos. Percebi que a narrativa em primeira pessoa é uma estratégia bem eficiente para torná-los mais próximos do leitor, mas não era uma opção viável pra mim.

a_insustentavel_leveza_do_serFoi então que me deparei com Milan Kundera em “A insustentável leveza do ser”. Um livro que já havia lido – e gostado bastante. Revendo suas páginas agora com os olhos de uma “pesquisadora”, percebi que ele se coloca na história como um personagem também. É um narrador com opinião, que começa o texto discutindo a ideia de Nietzsche sobre o Eterno Retorno. Um narrador vivo, que conhece melhor que ninguém os personagens da história e se mostra inteiramente confiável, criando um laço forte com o leitor e ainda assim, em terceira pessoa.

Perfeito. Mais uma etapa vencida.

Allice…
[Alice ainda não conhece ninguém na cidade e passa a maior parte do tempo criando sua história]

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